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Ometto aproveita crise para comprar R$ 422 milhões em ações da Cosan

15 de maio de 2020 Mercado

News - A queda no preço das ações da Cosan atraiu seu maior investidor: o próprio controlador Rubens Ometto. Nos meses de março e abril, Ometto, por meio da holding Cosan Limited, listada em Nova York e conhecida pela sigla CZZ, adquiriu nada menos do que 422 milhões de reais em papéis da empresa, que ainda em fevereiro havia alcançado sua máxima história.

Prêmios e Certificados - Após o Carnaval, a Cosan estava avaliada em cerca de 29 bilhões de reais na B3, valor que caiu para 21,2 bilhões ao fim de março e que agora está em 23,3 bilhões de reais. A companhia, que teve receita líquida de 73 bilhões de reais no ano passado, reúne sob seu guarda-chuva as usinas sucroalcooleiras da Raízen, junto com as operações na bandeira Shell no varejo de combustíveis, mais os negócios de gás, com a Comgás, e a área de lubrificantes, com a Moove. O grupo também é dono da maior operadora logística de base ferroviária, com a Rumo Logística.

D-Log 21 anos - Em março, as compras ocorreram diretamente na bolsa. Já em abril, foram feitos contratos de investimento por meio de derivativos chamados “total return swap” — um crédito bancário atrelado aos papéis.

Site desenvolvido pela Lima & Santana Propaganda - As aquisições dos dois últimos meses equivalem a uma respeitável fatia de 1,8% do capital total da empresa e não possuem nenhuma relação — além da filosofia de investimento — com os programas oficiais de recompras de ações. Nesse último caso, a empresa adquire os papéis com recursos da própria tesouraria e, em seguida, eles são cancelados. Em março, a empresa lançou um programa da ordem de 600 milhões de reais.

Operadores Logísticos - As compras em questão foram feitas pela holding Cosan Limited. Paula Kovarsky, diretora de relações com investidores da Cosan, destacou em entrevista ao EXAME IN que as transações estão alinhadas com a conduta do controlador e da própria empresa. “Há quatro anos, temos deixado muito clara a mensagem de que a melhor alocação de capital, no nosso entendimento, é a compra das nossas próprias ações. Claro que sempre, e ainda mais num momento como o atual, com muita disciplina financeira”, enfatizou a executiva.

Road Transportation - Ela ressaltou que a companhia tem como referência a manutenção de uma relação entre a dívida líquida e o Ebitda entre 2 vezes e 2,5 vezes. “Pensando sempre em ficar o mais próximo possível de 2,0 vezes.”

Prêmios e Certificados - Embora sejam movimentos separados, quando combinadas, a recompra de ações da Cosan e aquisição de papéis pela Cosan Limited, podem levar a participação da controladora no negócio a subir de 64% para 68% – um avanço bem superior, portanto, ao 1,8% do capital adquirido.

Companhia - A Cosan, após as recompras, tem como prática cancelar os papéis, o que naturalmente amplia a participação dos investidores no negócio – os cancelamentos funcionam na oposta direção das emissões, que diluem os investidores. No ano passado, a Cosan Limited investiu um total de 962 milhões de reais na compra de ações da Cosan da B3. Em dois meses, portanto, já fez 44% do volume de todo exercício de 2019.

Bilhões e bilhões

Transporte de Perecíveis - Comprar ações do próprio negócio e concentrar participações é uma prática tão transparente no grupo Cosan que a companhia dedicada tempo e espaço de seu Investor Day para falar do assunto. Na apresentação de 9 de março deste ano, a empresa destacou um slide detalhado com o saldo desses movimentos nos últimos quatro anos. A cifra acumulada alcança 7,5 bilhões de reais.

Contato D-Log - Essa conta inclui as recompras feitas aqui no Brasil e as realizadas na Bolsa de Nova York (Nyse), com os papéis da Cosan Limited. Elas demonstram uma concentração consistente do controlador nos diversos níveis da cadeia societária — passam desde a compra da fatia de sócios em controladas (como foi o caso da aquisição da fatia da Shell na Comgás) até as ofertas públicas na Nyse.

Trabalhe na D-Log - O documento aponta ainda que a “carteira CZZ” — que inclui as participações na Cosan, na Rumo e mais as fatias adquiridas ao longo dos anos — teve valorização acumulada de 481% desde 2010, até o fim do ano passado, contra um desempenho do Índice Bovespa de 65% no mesmo período.

A torcida pelo colapso

Trabalhe na D-Log - Embora consistentes no contexto histórico, as movimentações de Ometto e suas holdings sempre trazem indagações aos investidores do grupo e não foi diferente com as compras dos últimos meses. O empresário, um dos maiores do Brasil, não esconde de quem quer que o pergunte que tem intenção de simplificar a estrutura societária do grupo, o que passa por eliminar a estrutura de duas holdings — a própria Cosan, da B3, e a CZZ, na Nyse. Por isso, qualquer movimentação sua mais relevante gera frisson.

D-Log 21 anos - A conta que o mercado faz é que com todas as recompras de 2019, mais esses movimentos recentes, Ometto conseguiria elevar sua fatia indireta na companhia brasileira de 31% para 35%, considerando o cancelamento dos papéis mantidos em tesouraria tanto nos Estados Unidos como no Brasil. Na visão de alguns investidores, trata-se de um percentual que já poderia garantir conforto para o colapso das holdings, ou seja, a tão aguardada simplificação do modelo. O empresário conseguiria ser assim um minoritário com fatia suficientemente confortável para se manter como “controlador na prática” — em proporção semelhante a usada pelo Grupo Ultra quando migrou para o Novo Mercado.

Transporte de Carga Aérea - Essa é uma conta que continuará sendo perseguida pelos investidores até que a simplificação das estruturas de fato ocorra. Sobre o tema, Kovarsky preferiu não tecer qualquer comentário.

Road Transportation - A CZZ é fruto de um movimento realizado por Ometto em 2007. O empresário criou e listou na Nyse a holding Cosan Limited, com estrutura de super-voto, a exemplo de modelo que passou ser amplamente adotado pelas empresas de tecnologia. Essa arquitetura permite uma hiper-alavancagem do controlador sem perder a maioria política, pois somente sua classe de ação dá direito de voto 10 vezes maior que a classe de ação negociada pelo mercado. Na época, as maiores expoentes dessa alavancagem do controle eram a tradicional Ford e o Google. A CZZ levantou 1 bilhão de dólares com a transação treze anos atrás, mas esperava conseguir o dobro disso.

Operadores Logísticos - Por causa desse movimento, a ação da empresa no Brasil, listada no Novo Mercado sob os rígidos princípios de “uma ação, um voto” apanhou um bocado. Criou-se, então, uma mácula na governança do grupo e até mesmo do Novo Mercado, cuja eficácia ficou em xeque.

Site desenvolvido pela Lima & Santana Propaganda - Ometto adotou essa estrutura pensando que as petroleiras um dia bateriam na sua porta em busca de seu modelo de etanol, à procura de fonte de energia limpa. O desejo maior do empresário se concretizou quando a Shell surgiu para negociar a criação da Raízen, poucos anos depois. Mas a CZZ em nada foi útil para tal. Exceto pela captação original, a holding americana não foi usada.

Serviços - Desde então, o grupo carrega o peso desse modelo. A grande questão que o mercado acompanha é quanto Ometto possui efetivamente do capital da Cosan brasileira. A tentativa será sempre advinhar o momento ideal de uma transação, isso porque há um desconto histórico entre as duas companhias e os investidores tentarão aproveitar essa oportunidade de arbitragem quando tiverem certeza de uma transação. Algo que, por enquanto, só Ometto sabe — ou talvez, nem ele, por enquanto.

Fonte: https://exame.abril.com.br/exame-in/ometto-aproveita-crise-para-comprar-r-422-milhoes-em-acoes-da-cosan/


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