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O plano do governo para frear mais uma queda do dólar

26 de outubro de 2016 0Notícias

Dólar fechou cotado a 3,10 reais, no menor patamar desde julho de 2015. Banco Central deve enxugar o volume da moeda no mercado no começo de novembro

O dólar fechou nesta terça-feira (25) na casa dos 3,10 reais — o menor valor desde julho de 2015. A depreciação ocorreu em meio à expectativa da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita os gastos públicos e a aproximação do fim do programa de repatriação de recursos ilegais.

Até agora, segundo a Receita Federal, o governo arrecadou mais de 33,1 bilhões de reais com impostos e multas cobrados de quem mantinha bens fora do país, mas não os declarava. Até o próximo dia 31, quando acaba o prazo de adesão, esse montante deve aumentar ainda mais.

Quem aderir ao programa de regularização não tem a obrigação de trazer os recursos para o Brasil. Essa possibilidade, no entanto, não diminui as chances de aumento do volume de moeda estrangeira aqui dentro.

“Mesmo que 99,9% dos brasileiros que legalizaram recursos decidam não trazer nem um centavo para o país, o dólar continua sua trajetória de depreciação”, avalia Pedro Paulo Silveira, da Nova Futura.

O principal motivo para isso, segundo o analista, é a melhora na percepção de risco do país “que já oferece juros extremamente altos se comparados ao juro externo.”

“Com o aumento dos ativos em dólares lá fora, a percepção do risco melhora bastante”, diz Silveira. “O governo pode até tentar, mas vai ser difícil conter a tendência.”

De acordo com a pesquisa Focus, feita semanalmente pelo Banco Central, a previsão para o dólar no final do ano é de 3,20 reais. Na semana anterior, os analistas previam 3,25 reais.

Planos do Banco Central

Para evitar que a moeda norte-americana derreta ainda mais, o Banco Central deve retirar cerca de 3,5 bilhões de dólares do mercado no começo de novembro.

A retirada será feita por meio da não renovação dos contratos de swap cambial que vencem no próximo dia 1°.

O swap cambial é um instrumento derivativo que funciona como uma espécie de venda do dólar no mercado futuro (entenda melhor o que é swap) e é usado quando o governo precisa conter a apreciação da moeda estrangeira.

Ao escolher não rolar esse tipo de contrato, o Banco Central tentará evitar qualquer barreira para a valorização do dólar. Do começo do ano para cá, a moeda desvalorizou pouco mais de 19% — a segunda maior depreciação desde a implantação do Plano Real.

Fonte: Exame

 

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